Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Coisinhas pequenas que estragam tudo

Será que há relações que duram para sempre? Como é que
engolimos a raiva quando essa pessoa faz uma coisa dezenas, centenas, milhares
de vezes, apesar de lhe termos pedido que não a faça? Como é que se ultrapassam
os pequenos defeitos que nos irritam? Como é que se aguentam os dias em que nos
apetece estar sozinhas e mandar no comando da televisão? Como é que expulsamos
um homem da cama quando tudo o que queremos é fugir do calor, esticando-nos
todas no colchão? Como é que temos imaginação para tantos aniversários, natais,
dias dos namorados?

Hoje digo, com amor e paciência.

Se não dá para mandar no comando da televisão, o quarto e um
livro são os nossos melhores amigos, e ninguém manda no livro que lemos.

Os defeitos aguentam-se. Nem que se vá para a casa de banho
gritar sozinha, só para não gritar com ele.

A cama… a cama não há nada a fazer. Aguenta a companhia. Se
bem que tenho uma amiga que é totalmente a favor de quartos separados. Eu ainda
não sei o que penso sobre isso, já reflecti várias vezes mas não chego a
nenhuma conclusão. Por isso, se a companhia na cama dá calor, comprem um AC.

Se o sofá não chega para dois, comprem um maior.

Se vos apetece estarem sozinhas, vão fazer uma massagem, mãos,
pés, limpeza de pele. Qualquer actividade que não vos obrigue a falar. Ou limitem-se
a fecharem-se no quarto de banho, encham a banheira e metam-se lá dentro com
uma musiquinha e uma cerveja fresca na mão. Este ritual faz milagres.

As relações têm de acabar por coisas grandes. Mas a maioria
acaba por coisas pequenas, do dia-a-dia, que nem notamos. E vão nos enchendo os
nervos até sermos obrigadas a dar um pontapé e a dizer basta!

Só que há soluções antes desta. Antes do basta, há soluções.
Podem ser só pensos rápidos para um mal maior, mas resolvem muita coisa e
sobretudo, mais do que tudo, evitam muita coisa. Os chorrilhos de crueldades
que dizemos quando estamos no meio de uma discussão não desaparecem quando a
discussão acaba. Ninguém se esquece do que o outro disse, da forma como o
disse, e sobretudo do quanto doeu. E fica sempre o medo de que o diga de novo.

Uma amiga minha disse, e cito: “Acho que as relações são
feitas de barreiras "subentendidas" que sustentam o respeito e a
amizade (entre outros). E, à medida que vão sendo ignoradas, simplesmente
deixam de existir. Quando se insulta pela primeira vez, passa a ser menos
proibido. Quando chamas "inútil" pela primeira vez, passa a ser menos
proibido. Quando trais pela primeira vez, passa a ser menos proibido. etc etc
etc”.

As coisas não se esquecem, nada se esquece. E há palavras
proibidas, há gestos proibidos, há pensamentos proibidos. Por isso, quando
acharem que estão perto do ponto de ruptura por coisinhas pequenas que não têm importância
nenhuma, saiam daí. Vão acalmar-se para algum lado, vão beber um copo, ler um
livro, tomar um banho, fazer uma massagem. Porque depois não há retorno.



publicado por batomvermelho às 17:22
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